(Artigo) Etiqueta Canina

— A decisão por ter um cachorro em casa vem acompanhada de responsabilidade e uma nova rotina. Tratar bem o animal não é redundância, mas condição essencial. A convivência entre proprietários e mascotes deve ser, acima de tudo, harmoniosa. Para isso, há uma “etiqueta canina” que, colocada em prática, em casa e na rua, expressa respeito pelo espaço alheio, preocupação com a segurança e a saúde e tranqüilidade para experimentar o que de melhor existe entre um cão, seu dono e todos os que eles encontram a caminho do passeio.

Cachorro não é gente e não sabe que está agindo errado por estragar um móvel, por exemplo. Mas nem todos os proprietários de cães pensam assim. A tendência à humanização dos animais merece crítica e reflexão.

O cão tem sentimentos, gosta de viver bem e, principalmente, de ser tratado como cachorro. Um ponto comum entre crianças e animais é a necessidade de limites claros. Os animais se tornam agressivos de acordo com a personalidade de seus proprietários. etiqueta_canina01

No universo canino não existe democracia, mas sim hierarquia. Se não reconhecem um líder na matilha ou percebem sua fraqueza, tentam assumir o posto. É necessário deixar claro quem manda na casa. Para viver bem com o cão, o dono precisa estabelecer uma hierarquia. É inadmissível um animal dominar um homem. Mas a situação ocorre com freqüência. Se o cachorro for um líder por natureza, o dono terá muita dificuldade e vai precisar de ajuda profissional.

Ao subir no sofá, o cachorro tem de saber que está ali porque o dono permitiu. Para corrigir o animal, não adianta empregar o tom de quem fala com uma criança. Tudo na vida do cão é associado ou condicionado. Adote um tom firme e diferente do normal na bronca. A reprimenda só funciona se for dada imediatamente. O cachorro não consegue associar o erro depois de três segundos. Ralhe na hora certa, mas principalmente recompense o bom comportamento. As pessoas tendem a exagerar nas punições. É melhor exagerar na festa.

O cão pode ser livre para circular por todos os ambientes, mas deve respeitar sempre o espaço dos moradores.

— O aprendizado do “não”
Aos quatro meses, com todas as vacinas aplicadas, o cão está pronto para começar a ser adestrado. Mas, assim que chega em casa, o próprio dono já pode ensinar as boas maneiras ao cão. No início, as lições se voltam para o proprietário do animal. São conselhos sobre o que se deve esperar da relação com o cão e como ela deve ser. Desde cedo é importante que o filhote conheça outros cães e outras pessoas para se socializar. A maioria das aulas é dada na presença do dono e os ensinamentos devem ser postos em prática diariamente. O objetivo é ajudar o homem e o cachorro a conviverem em harmonia.etiqueta_canina02
O treinamento básico leva de três a seis meses. Nesse período, o animal senta, deita, anda junto, fica, faz conversões à direita e à esquerda, dá meia volta. O significado do “não” também é ensinado. A partir daí, o cachorro aprende a não sair desacompanhado quando o portão estiver aberto, a não pular nas pessoas, a não fazer buracos em jardim, a não roer móveis… Mas lembrem-se: o ideal não é ficar dizendo “não” ao cão toda hora. Pense em algum comportamento que você quer que ele faça ao invés do indesejado e ensine-o. Por exemplo: seu cão pula nas pessoas, ao invés de ficar falando “não”, ensine-o a se sentar quando uma pessoa se aproximar dele. Reforço positivo é sempre a melhor pedida!

Uma das tarefas mais difíceis para o dono é ensinar o cachorro a fazer as necessidades no lugar certo. É errado esfregar o focinho nas fezes ou na urina. O ideal é mostrar o lugar certo. Faça muita festa quando ele acertar, dê petiscos, carinho, brinque, passeie.

—  Cuidados essenciais

A posse de um animal está relacionada a disponibilidades financeira, emocional e de tempo. Vacinação em dia é o mínimo que um dono responsável deve garantir a seu bicho de estimação, assim como boa alimentação e higiene adequada. Certas raças exigem banhos semanais e escovação diária, como o Maltês, o Poodle e o Yorkshire. A medida ajuda a prevenir doenças e a eliminar pelos mortos.

Um cão não pode se alimentar como humano. Não se deve dar comida de gente para o animal. Isso acarreta problemas de pele, diabetes e insuficiência renal. O melhor é dar ração, frutas, menos as ácidas e, desde que o cachorro não tenha alergia, legumes como cenoura e beterraba. Nada de carne.

A saúde psicológica do animal está associada à atenção, carinho e estímulos. O cão tem necessidade de fazer passeios, de ver pessoas, de cheirar coisas e ter contato com outros cachorros. Isso desde filhote.

Para a falta de disponibilidade para sair com o animal, a alternativa pode ser a contratação dos serviços de passeadores. Uma voltinha de 45 a 50 minutos na companhia de outros cães custa em média 20 reais, ou aproximadamente 250 reais mensais, três vezes por semana.
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Saquinhos e lixeiras

As calçadas e praças não são banheiros. As fezes de qualquer animal contém bactérias. Favorecem a proliferação de insetos e causam doenças. Um dos males  é a ancilostomíase, afecção caracterizada por grave anemia que pode ser contraída por humanos ao pisar no chão contaminado por fezes de cachorros não-vermifugados.

A regra básica da boa convivência entre donos e não-donos de cachorro manda recolher os dejetos do animal durante o passeio. Leve de casa pequenos sacos de plástico para recolher as fezes e depois as deposite em lixeiras.

Longevidade

Os animais vivem muito. Um cachorro vive em média 15 anos; um papagaio mais de 80. A longevidade é um dos fatores de abandono. Há donos que colocam os animais nas ruas porque estão velhos ou cresceram demais,

Vida animal em condomínio

A principal reclamação dos moradores de condomínio em relação aos animais é quanto aos latidos. O latido representa estresse ou isolamento social. Se o cão ficar muito tempo sozinho, é aconselhável fazer atividades estimulantes, como passeios fora de casa, diariamente, independentemente da raça.

A convenção de condomínios só pode vetar a permanência de animais quando ferir algum direito previsto pela legislação civil e pela constituição. A convenção não pode proibir, em hipótese alguma, a simples propriedade se o animal não violar os direitos dos condôminos.

Respeitar as normas do condomínio também ajuda a evitar aborrecimentos. Em alguns prédios, é proibido circular com animais de médio e grande porte sem coleira e guia pelas áreas comuns. Em outros, eles são obrigados a usar o elevador de serviço. A boa educação recomenda que, no caso de haver outros passageiros no elevador, o dono não entre com o animal. Tudo pela ordem.

Fonte: cantodosbichos.blogspot.com


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