mar 16 2009
Pets ganham ambientes exclusivos em condomínios de SP
O conforto de Palhares, um bulldog inglês de sete anos, foi fator decisivo na hora da compra do novo apartamento da advogada Fabiana Dantas, 33. Quando ela se mudar para o residencial de 153 m2 no condomínio New York Club, na Lapa, região oeste, o cão passará a contar com um espaço exclusivo de 45,6 m2, feito sob medida para o animal de estimação.
Os futuros moradores do empreendimento, em fase de entrega das chaves, não vão precisar se aventurar pelas ruas para levar os pets para passear, já que o projeto da construtora Vivenda Nobre oferece aos “condôminos” de quatro patas um lugar chamado Dog Spa.
Vivia preocupada com o estilo de vida de Palhares. Por não ter muito tempo, nossas saídas não eram regulares”, afirma Fernanda. “Agora, me sinto aliviada, afinal, como qualquer outro membro da família, ele precisa ser respeitado.”
Palhares terá à disposição um local para passeio com bebedouros no estilo de minifontes e espaço exclusivo para banho. O paisagismo é de uma praça, com vegetação própria e bancos de madeira, onde os donos poderão descansar, enquanto os bichos se aventuram pela área privativa.
O arquiteto e paisagista Benedito Abbud, responsável por muitos projetos nessa linha, comprova que tais atrativos são um sucesso comercial. “Pelo retorno que tenho das construtoras, lançamentos nesses moldes, geralmente, vendem em uma semana”, diz ele. O marketing de venda dos empreendimentos imobiliários, de fato, começa a ressaltar espaços com nomes como Dog Walk, Pet Care ou “cachorródromo”. “É uma tendência internacional e sai da esfera dos mimos para cachorros. Passa a ser uma questão de segurança”, acha o arquiteto.
A veterinária e terapeuta de cães Rúbia Burnier é entusiasta do conceito. Ela alerta para as péssimas condições de higiene nas praças da cidade, que podem causar doenças e infestações de pulgas e carrapatos. Dentro do condomínio, os bichos estariam, teoricamente, protegidos de acidentes, já que nas ruas correm mais risco de atropelamento.
A questão do confinamento do animal em um espaço menor pode ser resolvida com passeios aos sábados e domingos, segundo a veterinária. “O ideal é que os fins de semana, quando a cidade está mais tranquila e os donos têm mais tempo, sejam usados para mudar os ares do cãozinho”, diz.
Ao estabelecer espaços exclusivos para os pets, os residenciais também precisam estabelecer condições para o uso. René Vavassori, diretor da Itambé, empresa que administra condomínios, ressalta que os “cachorródromos” demandam regras rigorosas. Ele cita duas básicas: o uso obrigatório de coleiras, mesmo se o cão for pequeno, e a responsabilidade do dono de recolher as fezes do animal. Segundo René, zelar pela segurança, pela saúde e pelo sossego, inclusive daqueles que não frequentam o espaço, é dever de todos os condôminos. Quem não cumpre está sujeito a multa.
A empresária Fabíola Sampaio, 32, que mora no condomínio Villa Amalfi, no Morumbi, segue as mesmas regras para levar Filé, um fox terrier de cinco anos, e Vareta, um wippet de três anos, para o “cachorródromo” que foi construído dois anos depois de o prédio ter sido comercializado. O fato de ela e os cães estarem protegidos entre muros faz diferença. “Vivo em São Paulo e conheço os limites da cidade”, afirma. “Chego tarde da noite e nunca sairia para andar na rua com eles, até porque não são do tipo que intimidam alguém.”
A empresária garante que os cães gostam dos passeios noturnos. Filé, por exemplo, que não é muito sociável, até prefere os horários em que o espaço exclusivo para os cães fica mais vazio. “Ele se acha o único dono do pedaço”, diz a dona. Ele e os outros cães do condomínio.
Fonte: Folha Online
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