jul 06 2009

Pets podem gerar gastos médicos elevados; plano de saúde pode ser alternativa

A bartender Aline Neves, 27, queria um animal de estimação, mas não tinha muito tempo para cuidar de um cão ou 0918756de um gato. Foi ao pet shop decidida a comprar um peixe, mas o vendedor a convenceu de que uma ratinha twister seria ótima opção.

Comprou Phoebe imaginando que levava para casa um bichinho que precisaria de poucos cuidados. A ratinha, no entanto, se revelou um grude e conquistou o coração da dona. “Ela é muito apegada, quer ficar lambendo a gente o tempo todo”, diz Aline, que não poupa esforços pelo bem-estar da twister.

Prova disso é que não pensou duas vezes quando teve de desembolsar R$ 800 para salvar a vida do pet que custou R$ 15. Como o intestino não funcionava direito, a ratinha teve de ser submetida a uma cirurgia e a internação.

Ser surpreendido com elevados gastos médicos é temor disseminado entre donos de animais domésticos que têm status de membros da família. Carolina Sanchez, 28, analista de logística, decidiu contratar um plano de saúde para seus dois poodles, Yago e Sury, logo depois de desembolsar R$ 3.000 com exames, tratamento e internação, quando a dupla pegou uma doença transmitida por carrapatos, há três anos.

Logo depois, passou a pagar uma mensalidade de R$ 33, por animal, por uma cobertura mínima. Segundo ela, o convênio valeu a pena por dois anos. Carolina só desistiu do plano quando o veterinário de confiança deixou de ser conveniado.

Agora, procura outra empresa para se associar. “Quero ter plano de novo, já procurei e não encontro”, afirma. “Só em junho, gastei o equivalente a mais de cinco meses de convênio com consultas e medicamentos.” O antigo serviço ao qual Carolina era associada fechou.

É difícil contabilizar quantos planos de saúde animal atuam em São Paulo. O veterinário Ricardo Coutinho do Amaral, vice-presidente da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais, diz que alguns chegaram a ser criados nos últimos anos, mas fecharam. Ele acredita que o preço médio de uma consulta -em torno de R$ 50, valor baixo, em sua opinião- torna os planos pouco atraentes.

Procurado pela Revista, o Conselho Regional de Medicina Veterinária não disponibilizou informações do seu cadastro sobre planos de saúde.

Custo e benefício

Um dos convênios que atuam na capital é o Mister Cats and Dogs, opção do empresário Danilo Prudêncio, 36, que contratou um plano standard da empresa por R$ 39 para sua yorkshire de quatro meses. Ele diz valer a pena estar coberto e considera o preço “convidativo”.

A decisão veio um mês atrás, quando o cão precisou ser atendido às pressas e fez seu dono gastar R$ 75 com uma consulta. Na semana passada, Bruce teve outra emergência: estava com água no pulmão. Dessa vez, Prudêncio gastou R$ 609 com consulta, medicação e internação e deve ter reembolso parcial das despesas, pois ainda está no período de carência.

O empresário diz que, se precisasse, teria gastado mais. “Quando a gente pega amor pelo bichinho, não quer que nada de mal aconteça a ele.”

A Mister oferece ainda plano executivo (R$ 57), que é indicado para animais de idade intermediária e cobre cirurgias complexas, exames laboratoriais e de imagem, além de internação; e o plano plus (R$ 84), que abrange um número maior de cirurgias e exames, além de UTI.

“Há muita tecnologia disponível para salvar a vida dos animais, mas o custo pode ser alto”, afirma Paulo Marcondes, da Mister. Um hemograma não sai por menos de R$ 30. Para pessoas, o mesmo exame custa R$ 9. Uma tomografia pode custar R$ 1.200, e uma castração, R$ 1.400.

A advogada Érica Trindade, 30, também tem um plano standard da Mister. Já sentiu o quanto a afeição ao cocker Yuri pode custar. O último gasto foi para livrar o pet de um envenenamento. Yuri comeu uma salsicha com veneno de rato à noite. Precisava de uma clínica 24 horas, mas, até chegar a uma credenciada ao plano, poderia ser tarde. Érica decidiu levá-lo a uma mais próxima e gastou R$ 300 do próprio bolso.

Além de economia, a veterinária Thaís de Souza, da clínica Zoocompany, aponta um aspecto preventivo na adesão a um plano de saúde. “Tem animal que eu atendo toda semana. Aparece uma feridinha, o dono já traz”, conta. Com isso, males são detectados precocemente.

Prazo de carência

Para quem vai contratar um plano, o Procon dá dicas como observar o prazo de carência para atendimentos. É importante saber também quais são as clínicas credenciadas e se os médicos têm registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária.

Além disso, o estabelecimento deve ter autorização da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, para funcionar.

Outra empresa que trabalha com cobertura de saúde para animais, a Animal Attention, está reformulando planos e preços e deve voltar a comercializar novos contratos em meados de julho.

Modelo hospitalar

Para não ser pego desprevenido, há quem opte por convênios oferecidos pelos próprios hospitais veterinários. É o caso do Med Dog, serviço 24 horas do bairro do Cambuci.

Por R$ 95 trimestrais, o hospital oferece aos cães e gatos associados quatro consultas anuais com direito a retornos e a um exame laboratorial ou diagnóstico por imagem. Cirurgias e medicações saem pela metade do preço; consultas e exames adicionais também.

Marcelo Quinzani, diretor clínico do hospital Pet Care, do Morumbi, que não oferece convênio, constata em sua experiência cotidiana como donos de pets lidam com os dilemas suscitados por altos custos hospitalares.

Ali são atendidos casos de oncologia, neurologia e oftalmologia. Segundo ele, a afeição ao bicho é o que mais conta. “A pessoa que mais gasta para salvar a vida do animal é a que gosta mais”, diz. “Não tem tanto a ver com a condição financeira -há pessoas ricas que preferem fazer eutanásia.”

Ana Amora, 67, adestradora de cavalos, assumiu uma dívida de R$ 3.500 para salvar a vida de Bidu, um vira-lata vítima de atropelamento, que foi socorrido por seu filho quando a família voltava de um feriado em Paraty (RJ).

Ela quis adotar o bicho logo, mas não sabia se conseguiria pagar os gastos veterinários. “Falei com uma amiga que tem boas condições financeiras, e ela concordou em pagar parte das despesas”, conta. Com a ajuda e os descontos que conseguiu do hospital, Ana quitou os gastos com a cirurgia e com a internação. Um final feliz para um drama que deixa tantos donos de animais insones.

Tabela animal

Vacinação anual (R$ 119 a R$ 250)
Raio-X (R$ 50 a R$ 105)
Hemograma padrão (R$ 30 a R$ 40)
Ultrassom (R$ 80 a R$ 95)
Tomografia (R$ 500 a R$ 1.200)
Consulta (R$ 50 a R$ 180)
Cirurgia (R$ 250 a 2.500*)
Castração de fêmea (R$ 350 a R$ 1.350**)
Castração de macho (R$ 250 a R$ 810**)

* Variam de acordo com o serviço, tamanho do animal, complexidade do procedimento e horário.
** Preços para cães e gatos, pesquisados em dois hospitais e duas clínicas

Fonte: folha online


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