set 22 2009

Forçados a deixar cães, donos buscam novo lar para pets

Há um mês, a professora Yara Palhares, 57, não vê Eros, o labrador que viveu sete anos ao seu lado. Agora ela só recebe notícias dele por telefone. Às vezes, fica preocupada pensando em como o animal se protege do frio no seu novo lar.  Aos poucos, ela tenta se acostumar com o apartamento vazio e sem latidos, na Mooca, para onde se mudou. A decisão de entregar Eros a uma nova dona foi traumática. Aconteceu depois que Yara foi obrigada a deixar sua casa para cuidar do pai.  “Nunca pensei que fosse tão difícil me separar de um cachorro”, diz. “Fiquei muito abalada e percebi que as pessoas só querem pegar filhotes.” Por recomendação de um veterinário, ela procurou alguém que tivesse uma fêmea da mesma idade para fazer companhia a Eros.

Jefferson Coppola/Folha Imagem

eros

Hoje, ele divide o quintal de uma casa na Penha, zona leste, com Fênix, uma cadela de seis anos que virou sua fiel parceira. A antiga dona torce para que, longe dela, o cão se comporte. A separação começou no ano passado, quando Caio, filho de Yara, se mudou para a Austrália. A professora foi morar na casa dos pais e levou Eros junto. Foi um ano difícil. O labrador perdeu o espaço que tinha e revirou a casa com suas estripulias. “Ele invadia o jardim, comia as plantas e não parava de latir”, lembra. “Mesmo assim, meus pais tiveram paciência.” A situação piorou depois que Yara trocou a ampla casa com piscina por um apartamento de três quartos, onde vive atualmente.  Não tinha mais espaço para Eros. O que fazer com ele? Trinta dias atrás, o dilema não saía da cabeça de Yara, que perdera a companhia do filho depois de ter se separado do marido. Lotou a internet com fotos do cachorro e ligou para os amigos mais próximos. Chegou à conclusão de que a tarefa não seria fácil.  O veterinário Luiz Renato Flaquer explica que a separação é algo muito sentido pelo cão. Em vários casos, nem o tempo é suficiente para o bicho se readaptar. “Quando o animal é muito dependente, pode entrar em depressão ao se sentir rejeitado”, diz.

A situação tende a piorar com animais mais velhos, como é o caso de Eros, quando os laços afetivos estão mais arraigados. “Cachorro idoso é rejeitado por todos, as pessoas não são solidárias”, diz Yara.  No desespero, ela arranjou um abrigo provisório para o pet no estacionamento de um primo. Eros ficou 15 dias ali, à espera de um novo lar.  Enquanto isso, Yara foi atrás de pretendentes. Não queria largá-lo sozinho em qualquer canto. Não queria perder de vista “o labrador com complexo de poodle” que tem a mania de comer meias. “Chorei todo dia, fiz promessa para encontrar alguém para cuidar dele.” Chegou a oferecer ao novo dono ração e tratamento veterinário.

Primeiro encontro
A corretora Carolina Ribeiro Bezerra, 29, ficou sabendo do drama da professora. Conheceu Eros e topou adotá-lo. Quem gostou da ideia foi Fênix, até então o único pet da família.  Os dois animais se deram bem de cara. Cruzaram sem cerimônia. “Ele é um crianção”, diz a corretora, que já foi derrubada por Eros algumas vezes. “Ele come toda roupa que vê pela frente.” No início, ela percebeu que o grandalhão de 43 kg ficou carente: perdeu o apetite e estranhou o ambiente. Nos primeiros dias, até fez xixi dentro da casa.
Conforme orientação de veterinários, Yara resistiu e não foi visitá-lo. É preciso cortar os vínculos para não iludir o animal, aconselha Luiz Renato. O jeito é ligar duas vezes por semana para saber notícias do antigo companheiro.  O dilema de Yara é recorrente, afirma Marco Ciampi, presidente da associação de proteção ao animal Arca Brasil. Ele defende que a atitude de ter um bicho deve ser planejada com todos os envolvidos. “É preciso ter noção dos gastos com o animal, ter em mente com quem deixá-lo em viagens e reservar um tempo de atenção.”
Hoje, a ex-dona fala em tom saudosista de Eros. Lembra das manhãs quando iam caminhar juntos e de quando o labrador machucou a pata numa porta de vidro e teve de ser levado a um veterinário em plena madrugada. “Ele é muito desastrado”, diz, associando seu jeitão estabanado ao protagonista do filme “Marley e Eu”.

Fonte: folha.com.br


Itens relacionados:

  1. Donos fazem “peregrinação” para tratamento de doenças raras em pets
  2. Cães levam donos para passear no Pet Fashion Week
  3. Donos de pets terão que passar por teste de aptidão
  4. Creche para cachorros é opção para donos ocupados
  5. Plano de saúde para pets
Voltar