(Artigo)Cães guias

tn_cao_guiaA história moderna do cão guia, começa durante a 1ª Guerra Mundial, onde os cães que serviram de mensageiros viriam a ser treinados como guias para cegos. Isto se deu graças a um médico alemão Gerhard Stalling que teve a idéia de treinar cães em massa para ajudar milhares de soldados que retornavam cegos das batalhas, devido a gases venenosos. Em agosto de 1916, foi aberta a primeira escola de cães guia do mundo para cegos em Oldenburg. Em 1923 foi criada, em Potsdam, uma organização de cães guias para cegos civis. Em 1930 é fundada a primeira escola de treinamento em Wallassey, Cheshire. A esta altura, pensou-se que estava em parte resolvida a deslocação da pessoa portadora de deficiência visual. Atualmente as raças utilizadas no mundo inteiro são: Labrador, Golden Retriever, Pastor Alemão, Pastor Branco suíço, Collie e o Boxer. Além de mestiços de golden com labrador e de labrador com poodle. Essas raças possuem temperamento, tamanho e características adequadas para a função. Entretanto, o que importa não é a raça, mas sim o Cão como indivíduo.
Escolha do Filhote
O filhote tem de ser saudável e meigo, sem ser tímido ou líder. O equilíbrio de temperamento é fundamental. O animal deve ser criado com socialização, ou seja, na convivência com pessoas, animais diferentes e lugares barulhentos, pois serão situações que ele enfrentará no seu dia-a-dia. Desde cedo, o cão deve ser ensinado a fazer suas necessidades fisiológicas nos lugares certos.

Adestramento
A educação começa desde os primeiros dias que é a parte de sociabilização com pessoas, animais e situações inusitadas. A partir do 3° mês, começa a obediência básica (sentar, deitar, andar junto, etc) e a partir do 7°mês, a obediência adiantada (adestramento de rua, obstáculos de altura, largura e travessia de sinais). Aos 12 meses se inicia o adestramento para condução inteligente, ou seja, o cão deve desobedecer uma ordem dada pelo dono, ao observar o perigo. O treinamento do cão guia é bastante peculiar, pois o animal não vai conduzir somente em pista de obstáculos. Ele tem que estar apto para guiar nas ruas de uma cidade, portanto, tem que ser treinado nas ruas, conviver com uma família, conviver pacificamente com crianças e outros animais, sem se desconcentrar enquanto estiver guiando.
Na Europa, existem os “puppy-walkers”, que são voluntários que criam os filhotes até estarem completamente adestrados pelos treinadores e instrutores, aí então é que estarão prontos para serem entregues aos deficientes visuais. Há alguns anos atrás no Brasil, esse tipo de serviço foi feito e uma quantidade significativa de pessoas se negava a entregar os cães por terem criado um grande vínculo afetivo com o animal. Hoje, a mentalidade está mudando e muitas famílias são voluntárias.
Regras Básicas
1. Não toque, não fale, não alimente ou distraia de outra maneira o cão guia quando avistá-lo trabalhando com seu usuário com via pública, logradouro, estabelecimentos públicos ou particulares. Permita que o cão guia se concentre em seu trabalho e o execute sem ser perturbado para a segurança de seu usuário.
2. Não trate o cão guia como animal de estimação. Dê-lhe o respeito de quem está desempenhando um trabalho de suma importância.
3. Não dê ao cão guia comandos. Permita que o usuário o dê.
4. Não tente fazer exame do controle nas situações estranhas ao cão ou ao usuário. Porém se o deficiente visual solicitar tente ajudar ao usuário em cima do seu pedido.
5. Evite andar no lado esquerdo do cão guia em serviço, você pode se tornar uma distração e ele poderá se confundir. Ande de preferência no lado direito e com certa distância, do deficiente visual e seu cão, o adequado são alguns passos atrás deles.
6. Não tente agarrar ou dirigir a pessoa quando o cão o guiar ou tentar prender o arreio do cão. Pergunte ao usuário do cão guia se ele necessita do seu auxílio e, se assim, ofereça o seu braço esquerdo.
Familiares e Amigos
7. Não seja super protetor quando o primeiro graduado chegar em casa com o cão novo. Seja pensativo, paciente nos erros e acertos para inspirar a confiança ao usuário. Com o tempo, você admirará a perícia do binômio homem/cão.
8. Não espere demais no começo. Lembre-se que o cão é novo e que a harmonia e a confiança completas vem com o tempo, use sempre a paciência, a perseverança. É com a convivência que vem os grandes resultados.
9. Não dê ao cão restos de comida ou petiscos inadequados. Respeite a necessidade do usuário do cão guia de dar ao cão uma dieta equilibrada e manter seus hábitos saudáveis.
10. Não permita que as crianças arreliem ou abusem de brincadeiras com o cão guia. Permita que descanse sem ser perturbado.
11. Não permita que seus animais de estimação desafiem ou intimidem um cão guia, especialmente quando em trabalho. Permita que os cães se encontrem em território neutro quando todos os animais podem ser supervisionados com cuidado.
12. Não permita que cão guia se distraia quando em trabalho ou tome atitudes inadequadas como mendigar comida ou pular em pessoas. Peça ao usuário para corrigir todo o comportamento errôneo.
13. Não deixe o cão guia fora de casa, abandonado no quintal. Compreenda seu valor ao usuário.
14. Não afague o cão guia na cabeça. Afague o cão guia na área do ombro e somente com a aprovação de seu usuário.
Tempo de Serviço
Os cães guias podem ser usados na condução em média por 8 anos de serviços. A partir daí, observa-se um declínio do rendimento do cão, além do cão ser considerado idoso e sujeito as doenças da idade. Por normas mundiais após 8 anos de serviços, o deficiente visual que é usuário do cão guia o devolve a entidade formadora para que o cão seja aposentado. A associação geralmente encaminha o animal a famílias criteriosamente cadastradas para que adotem o cão guia que tão bem cumpriu sua função. Posteriormente a adoção do usuário do cão guia é encaminhado para um novo companheiro.
Legislação
Hoje no Brasil, existe uma lei federal que permite o acesso de cães guia a todos os lugares públicos e estabelecimentos comerciais quando em treinamento ou serviço, (LEI FEDERAL N°11.126, DE 27 DE JUNHO DE 2005 – LEI DO CÃO GUIA). Há decreto que regulamenta a lei que autorizou a entrada de pessoas portadoras de deficiência visual, acompanhadas de cão guia, bem como seus instrutores ou adestradores, em igrejas e no transporte coletivo. Segundo o decreto, essas pessoas têm o direito a ir aos locais onde é servida refeição e poderão entrar pela entrada principal, usando tanto o elevador de serviço quanto o social, em qualquer prédio público ou particular. O deficiente visual, instrutor ou adestrador deverá carregar uma carteira de vacinação do animal e uma outra atestando o treinamento e o cão guia deverá estar devidamente identificado. Quem impedir um deficiente visual ou seu treinador de entrar nesses estabelecimentos estará sujeito a mullta de R$1.000 a R$50.000. Em caso de reincidência, o local pode ser interditado por até 30 dias.
Cães de Auxílio

Os Cães-Guia de Surdos
Esses cães são treinados a alertar os portadores de deficiência auditiva a uma variedade de sons domésticos como uma batida de porta ou campainha, despertador, telefone, grito de bebê, chamada de nome ou alerta de incêndio. Os cachorros são treinados a estabelecer o contato físico e conduzir os usuários a fonte do som. Neste ponto, o animal escolhido tem uma importância fundamental, uma vez que a inteligência dos cães irá ser submetida a uma dura prova: terá de aprender mais de 70 ordens orais e 20 gestuais. Para além disso, a voz de um surdo/mudo é muito diferente em termos de entoações e dicção o que exige um esforço de adaptação suplementar. A formação do cão consiste principalmente em fazê-lo reagir a determinados ruídos e prevenir o usuário. Por exemplo, o cão salta para a cama logo que o despertador toca, puxa o usuário pelas calças quando toca a campainha da porta, ou ainda, pega delicadamente na mão do dono para avisar de uma visita inoportuna. No entanto, o que estas pessoas sobretudo apreciam é o fim da solidão e isolamento.
A escolha do cão
Esses cães são selecionados em abrigos de adoção. São escolhidos cães saudáveis, amigáveis, inteligentes e enérgicos. Raças de porte médio e pequeno, como Poodles, Jackie Russel Terriers, Spitzs, Chihuahuas, são as preferidas, além de SRDs e Mestiços. “Nacho”, uma mestiça de Chihuahua, foi morta por assaltantes depois de despertar o usuário dela e a esposa. Por seu heroísmo, a pequena “Nacho” foi premiada com Stillman Award ensejado pela Sociedade Humanitária Americana.
Os Cães-guia de portadores de deficiência locomotora
A função desses cães é propiciar aos deficientes maiores facilidades no dia-a-dia. O treinamento começa com comandos simples: senta, pare e junto. Depois o treinador ensina ao cão a acender e apagar luzes, a apoiar pessoas que andam com bengalas, retirar roupa de secadora e colocar em cestas entre outras tarefas.

Fonte: guia dos animais


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