nov 30 2009

USP e governo criam centro de cães-guia

cao-guia2A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP e a Secretaria do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência celebraram um convênio para a criação de um Centro de Treinamento de Cães-Guia. A cerimônia para assinatura do acordo aconteceu na última terça-feira, 24 de novembro. O Centro deverá funcionar em um terreno adjacente à FMVZ, doado pela reitoria da USP.

Segundo Denise Tabacchi Fantoni, coordenadora do projeto, professora da FMVZ e responsável pelo Serviço de Anestesia do Hospital Veterinário da USP, o Centro, além da criação e treinamento de cães-guia para cegos, tem como objetivo definir parâmetros em relação à usabilidade do cão-guia e métodos de treinamento.

O convênio estabeleceu os termos da parceria entre a FMVZ e a Secretaria instituindo as ações que caberão a cada uma das partes envolvidas no Projeto. O primeiro passo foi a doação do terreno pela reitoria para as instalações físicas do Centro. “É um passo inicial para um grande projeto que envolverá a Universidade, o governo estadual e a sociedade”, explica Denise.

Quando instalado, o Centro treinará cães das raças Labrador e Golden Retriever, que possuem um alto grau de habilidade para o aprendizado da função de guia. Os animais serão adquiridos por meio de doações de canis particulares, credenciados e com controle de doenças. Inicialmente, o Projeto espera formar 30 cães ao ano para os portadores de deficiência visual. No futuro, a professora cogita a hipótese de compra de filhotes, conforme o desenvolvimento do projeto.

O treinamento
Os filhotes serão entregues a uma família adotiva, selecionada pelo programa, e que cuidará do cão durante um ano. Segundo Denise, “esse período com a família fornecerá ao animal a possibilidade de se socializar com pessoas e locais, além de crescer num ambiente caseiro”. Os filhotes serão visitados mensalmente por um membro do Centro, para verificar o desenvolvimento do animal.

Após o primeiro ano com a família, o cão é encaminhado ao Centro de Treinamento, por onde passará por um adestramento intensivo, específico para guia de cegos. Nessa etapa, o animal será avaliado permanentemente por treinadores qualificados, contratados pelo Centro e avaliados clinicamente por veterinários da FMVZ. O treinamento terá duração de quatro a seis meses, dependendo da evolução do animal.

A qualquer momento, os cães podem ser desclassificados do processo de treinamento, seja por ocorrência de doenças, baixa capacidade de aprendizado, agressividade e extrema submissão, entre outros.

Missão social
Treinados, os cães serão encaminhados aos deficientes gratuitamente. A Secretaria do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência ficará encarregada de fazer um cadastro de deficientes interessados em adquirir os animais, e de repassá-los aos futuros donos.

Denise lembra que, hoje, existem no Brasil cerca de 16 milhões de cegos, e que a importância do Centro está em não se limitar a fornecer cães-guias a deficientes visuais, mas em criar um projeto que envolva a Universidade, o governo e, principalmente, a sociedade.

Os interessados em ser uma família acolhedora de um futuro cão-guia, devem contatar o Centro de Estudos do Cão-Guia do Estado de São Paulo, nos emails juliabezerra@terra.com.br  e mariafernandacir@gmail.com.

Mais informações: (11) 3091-1232, email dfantoni@usp.br, com a professora Denise Tabacchi Fantoni

Fonte: USP


Itens relacionados:

  1. Cão-guia facilita a locomoção e aumenta a socialização de deficientes visuais
  2. Cães doados pelo centro de zoonoses de Porto Alegre terão chips
  3. Cão cego tem cão guia
  4. Governo oferece grana por cocô de cachorro
  5. Procura-se York
Voltar